Prega̤̣o Р23/02/2014 РQuesṭo de Justi̤a

Questão de Justiça

Notas de pregação para Mateus 5.38-48 e Levítico 19.1-2, 9-18

Brasília, 23/02/14

Tema e Lema da IECLB para 2014: “viDas em comunhão – Buscai a paz da cidade”

No Domingo passado – belo dia em que celebramos o Reinício das atividades da CECLB – demos o “ponta pé inicial” ao Tema e Lema do ano proposto pela IECLB. Na pregação, o P. Alberto fez alusão à diferença entre esperança passiva e esperança ativa e conclamou o povo de Deus a mostrar virtude para fazer diferença na cidade em que está vivendo.

Notícias das últimas semanas

Nas últimas semanas a mídia veiculou várias notícias sobre violência. Ganhou destaque especial o caso de um jovem suspeito de cometer roubos e furtos, no RJ, que foi espancado, despido e preso a poste pelo pescoço com cadeado. Duas semanas depois o jovem foi preso novamente após tentativa de assalto a turista estrangeiro em Copacabana.

O caso ganhou repercussão nacional. Muitas outras notícias pelo Brasil inteiro foram veiculadas, relatando vários casos em que suspeitos de crimes foram imobilizados e espancados pela população.

No último dia 16/02, dois jovens foram espancados em Brasília, na 105 Sul, suspeitos de tentar arrombar um carro. A investigação mostrou que os dois jovens estavam apenas de passagem e eram inocentes.

Nos dias que se seguiram, a preocupação das noticiários era combater ideia de fazer justiça com as próprias mãos. Aparentemente a “moda pegou”.

Todos esses noticiários trouxeram à tona a preocupação (e cansaço) da sociedade com um sistema de justiça lento que não pune e que não reforma pessoas. No caso específico do jovem preso a um poste no RJ, registra-se que ele tenha passado pelo menos 4 vezes pelo “sistema” da justiça: preso, recolhido a algum tipo de centro de detenção e ressocialização de menores – o que aparentemente não deu resultados.

O que fazer quando a sensação de insegurança cresce no país e até mesmo em Brasília? O que fazer se nos acompanha a sensação de que a justiça tem dificuldades em cumprir a sua finalidade? O que fazer quando injustiças são cometidas contra nós?

É com estas perguntas que me aproximo dos textos sugeridos para nossa reflexão nesta manhã de 23 de fevereiro de 2014.

Os textos

Levítico: é o Livro da Lei. Regula como há de ser a vida do povo libertado por Deus da escravidão no Egito. Dentre as leis, algumas são específicas e visam proteger os direitos das pessoas mais humildes: os pobres, os trabalhadores diaristas, os surdos e cegos. Outras leis destinam-se a refrear a vingança e a injustiça.

Em Mateus 5.38-48, Jesus reinterpreta a Lei de Moisés. Aprofunda o seu sentido. Repete o sentido maior de Levítico, em que Deus diz: “Sejam santos porque eu sou santo.”. Jesus diz: “Sejam perfeitos, assim como o Pai que está nos céus é perfeito.”

A questão é de Justiça

Deus é justo juiz. Que o seguidor de Jesus seja, pois, justo. Que persiga a justiça, a começar pelo seu próprio comportamento diante das injustiças que certamente encontra na vida.

Sem dúvida, são questões difíceis: Dar a outra face; Dar mais; Caminhar mais uma milha; Não retaliar; Amar inimigos; Orar pelo que te persegue;

Há uma linha (linha tênue) entre ser bom e ser bobo! Esse é um grande para nós que vivemos esse tempo de crescente violência in insegurança. Não creio que as palavras de Jesus nos queiram levar a ser realmente “bobos” diante da injustiça. Outrossim, Jesus quer nos desviar do desejo de vingança e também nos inclinar à prática da generosidade e misericórdia nas relações com pessoas que cometem injustiças (às vezes, contra nós!).

Levítico 19.17 diz: “não deixarás de repreender o teu próximo e nele não sofrerás pecado.” Na Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) temos: “não guarde ódio no coração contra teu próximo, mas corrija-o com franqueza para que você não acabe cometendo pecado por causa dele.”

Se queremos realmente refletir sobre Justiça, precisamos também admitir: somos tremendamente falhos em cumprir e praticar esse valores (Mateus 5.38-48). Nosso coração está mais rapidamente pronto a buscar a vingança, a fazer justiça com as próprias mãos. Aprovamos silenciosamente no coração a ideia da pena de morte.

É preciso lembrar que a vingança pertence ao Senhor. Hebreus 10.30 diz: “A mim pertence a vingança; eu retribuirei”; e outra vez: “O Senhor julgará o seu povo”.

E Miqueias 6.8 diz: “Ele mostrou a você, ó homem, o que é bom e o que o Senhor exige: pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente com o seu Deus.”

Cristão não devem pretender fazer justiça sem AMOR.

1 Co 13.4-7: “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

1 Co 6: 1:  “Se algum de vocês tem queixa contra outro irmão, como ousa apresentar a causa para ser julgada pelos ímpios, em vez de levá-la aos santos? 7) O fato de haver litígios entre vocês já significa uma completa derrota. Por que não preferem sofrer a injustiça? Por que não preferem sofrer o prejuízo?”

Deus, em Jesus fez o mesmo com a gente!

Precisamos lembrar o que aconteceu a nós: a maneira como justiça foi feita a nós. Deus, o Justo Juiz, fez justiça a nós. Mas o fez com AMOR.

2 Coríntios 5.19 diz: “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo.” Ele não nos deu paga na base do “olho por olho, dente por dente.” Deus deu mais que a outra face. Deu o Filho Unigênito.

Hoje, neste culto, vamos à Santa Ceia. Vamos participar e receber injustamente aquilo que não merecemos.

Jesus Cristo disse: “Bem aventurados os misericordiosos, por alcançarão misericórdia” (Mateus 5. 7). Se recebemos misericórdia aqui na Santa Ceia, não podemos deixar de ser misericordiosos com quem encontramos (ou por quem somos encontrados) no nosso caminho.

Que a sua justiça seja conhecida, de maneira que as pessoas ao verem-na, glorifiquem ao Pai que está no céu! (Mateus 5.16)

P. Daniel Conte.

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