495 Anos da Reforma

Por ocasi√£o do dia 31 de outubro, trazemos √† mem√≥ria o que Deus fez no meio da Sua igreja no dias de Martin Lutero, monge alem√£o que viveu na virada s√©culos XV e XVI. Martin Lutero era um homem angustiado e inquieto diante de Deus. Temia a ira de Deus, conhecendo a sua pr√≥pria perdi√ß√£o e maldade. Buscava o favor de Deus, seu perd√£o, sua gra√ßa. Ao adentrar a ordem mon√°stica dos Agostinianos, abrem-se-lhe as portas ao estudo da B√≠blia. A leitura deste livro descortinar√° para Lutero uma nova leitura da realidade. Lendo e estudando a Palavra de Deus, Lutero come√ßa a perceber que a realidade em que vive necessita de corre√ß√£o e reformas. E passa a convidar √† reflex√£o atrav√©s de seus escritos e prega√ß√Ķes. O primeiro escrito not√°vel ser√° o conjunto de 95 teses que afixou na porta da igreja em Wittemberg a 31 de outubro de 1517. Era justamente a v√©spera do “Dia de todos os Santos”, dia em que milhares de pessoas se dirigiam √†s igrejas para orar e comprar cartas de indulg√™ncia para os seus mortos.

Uma das palavras b√≠blicas que mais marcou Lutero foi a que encontramos em Romanos 1.16-17: “N√£o me envergonho do evangelho, pois √© o poder de Deus para a salva√ß√£o de todo aquele que cr√™, primeiro do judeu, e tamb√©m do grego; visto que a justi√ßa de Deus se revela no evangelho, de f√© em f√©, como est√° escrito: O justo viver√° por f√©. Este texto o impulsionou a descobrir que a f√© em Cristo √© “a primeira, suprema e mais nobre boa obra” que um ser humano pode/deve buscar. Da√≠ surgira um dos pilares do pensamento de Lutero: “Sola Fides”, “Somente a F√©” √© necess√°ria e √ļtil para a salva√ß√£o. Nada fora da f√© pode contribuir para que o ser humano encontre a gra√ßa e o favor de Deus. Pois, como diz Paulo: ‚ÄúTudo que n√£o prov√©m da f√© √© pecado‚ÄĚ (Romanos 14.23).

Outro pilar do ensino de Lutero resume-se na express√£o ‚ÄúSomente a Gra√ßa‚ÄĚ. Trata-se da compreens√£o da Gra√ßa de Deus que justifica o pecador: ‚ÄúPois voc√™s s√£o salvos pela gra√ßa, por meio da f√©, e isto n√£o vem de¬†voc√™s, √©¬†dom¬†de¬†Deus‚ÄĚ (Ef√©sios 2.8; veja tamb√©m Romanos 3.24 e 6.23). Baseado no entendimento b√≠blico a respeito do ser humano, Lutero sustenta que o ser humano n√£o consegue por seu pr√≥prio esfor√ßo, ainda que valendo-se do livre arb√≠trio, produzir algo que satisfa√ßa a justi√ßa necess√°ria que poderia torn√°-lo aceit√°vel diante de Deus e merecedor da vida eterna. Diante de tal impossibilidade, Deus resolveu dar gratuitamente ao ser humano esta justi√ßa atrav√©s de Jesus Cristo, morto em lugar do ser humano como pagamento pela justifica√ß√£o do pecador. Da√≠ dizer-se que a Gra√ßa de Deus ‚Äúnos poupa de recebermos o que merecemos (abandono e condena√ß√£o eterna) e nos d√° o que n√£o merecemos (perd√£o, paz com Deus e vida eterna com Ele)‚ÄĚ.

Ainda outro pilar do ensino de Lutero aponta para a centralidade das Sagradas Escrituras: ‚ÄúSomente as Escrituras‚ÄĚ. Lutero insistiu que as Sagradas Escrituras na forma do Antigo e do Novo Testamento s√£o a base de ensino e maior autoridade para conhecer a Deus e compreender sua vontade para com os seres humanos. Foi a partir deste entendimento que Lutero, diante das exig√™ncias das autoridades eclesi√°sticas de seu tempo no sentido de que renegasse tudo que ensinou e escreveu, afirmou:

A n√£o ser que seja convencido pelo testemunho da Escritura ou por argumentos evidentes (pois n√£o acredito nem na infalibilidade do papa nem na dos conc√≠lios, visto que est√° claro que os mesmo erraram muitas vezes e se contradisseram a si mesmos) ‚Äď a minha convic√ß√£o vem das Escrituras a que me reporto, e minha consci√™ncia est√° cativa a palavra de Deus ‚Äď nada consigo nem quero retratar, porque √© dif√≠cil, mal√©fico e perigoso agir contra a consci√™ncia. Aqui estou. Deus me ajude! Am√©m. (WA 7, 876, 11-877. Opus cit. In: LIENHARD, Marc. Martin Lutero: Tempo, Vida e Mensagem. S√£o Leopoldo: Sinodal, 1998.)

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